RESGATE apresenta o documentário ''O Sonho Da Sexta Estrela'' dirigido por João Almeida.
João Almeida é jornalista e comunicador cultural, situado na cidade de São Paulo. Aos 21 anos, integra a equipe editorial da plataforma NOTTHESAMO, dissertando sobre cultura urbana, arte e moda.
No final de 2025, João abriu as portas de seu interesse para o desenvolvimento de uma coleção de revistas (na época, segundo ele, sobre diversos assuntos. O importante era se conectar com peças históricas e com arquivos que o situassem no momento atual por meio da exploração do que já passou). Deste interesse veio a memória de ganhar um Guia da Copa do Mundo em 2010 e, juntando os pontos, nasceu em 2026 o projeto RESGATE.
O futebol funciona como ponto de partida para o RESGATE investigar comportamentos coletivos e as diferentes manifestações culturais que surgem ao redor do esporte. Parte de, efetivamente, resgatar momentos e explorar a nostalgia que estes carregam, assim como analisar como tais decorrências moldam o jogo (e consequentemente, a cultura) que enxergamos hoje.
''O projeto foca em aprofundar e compreender os movimentos de massa e seus mais diversos aspectos, partindo do futebol como ponto de análise. Para além das redes sociais, a base do projeto é propor novas conversas e análises sobre como enxergamos o jogo e suas mais variadas formas de expressão.''
- João Almeida
João também imagina o projeto ocupando outros formatos e espaços, expandindo a discussão sobre o futebol e tudo aquilo que se manifesta culturalmente ao seu redor. A primeira manifestação física do projeto foi em forma de exposição: “Uma Ode ao Futebol”, junto ao artista Pedro Magiti. Ali, bandeiras com mensagens de resistência, pinturas e camisas com intervenções eram expostas no contexto de uma galeria (o local de exibição foi o NOTTHESAMO Anexo).
Removidas de seu contexto original e selecionadas para criar um diálogo entre si, a memorabilia e obras expostas obrigavam o espectador a encará-las e, consequentemente, tentar absorver sua mensagem. Analisando a exposição, acreditamos que o intuito não era só mostrar aqueles artefatos, mas também propor um diálogo sobre a potência de construção social e consequentemente da relevância cultural do que estava ali.
Os 30, ou agora 39 dias que só vivemos uma vez a cada 4 anos são inesquecíveis, mas é muito rico que existam para além de memórias e, nesse caso, por meio de uma documentação que exprime a subjetividade de como o brasileiro lida com o futebol.
Coincidentemente, RESGATE foi criado em ano de Copa do Mundo, e seria impossível não olhar para as relações que este evento possibilita e tentar compreender um pouco do que se passa na mente do brasileiro nos intensos 39 dias que carregam histórias, ansiedades, alegrias, tristezas e, futuramente, memórias.
Logo, o projeto se inseriu nas ruas de São Paulo e do ABC Paulista para gravações e interações que deram vida ao documentário “O Sonho da Sexta Estrela”. O material captado durante esse período passou a integrar “Cores, Bairros e Torcidas”, série desenvolvida desde o início do RESGATE para observar como diferentes torcidas constroem suas próprias formas de viver e expressar o futebol. Com a Copa, essa investigação ganhou outra dimensão. A câmera acompanhou o futebol sendo vivido em escalas completamente diferentes, passando pela intimidade de uma casa entre amigos, por bares e pelas festas que tomaram a cidade. Interessava observar quem estava ao redor e as diferentes maneiras como cada grupo transformava aquele ato de torcer em uma experiência própria e coletiva ao mesmo tempo.
Os 30, ou agora 39 dias que só vivemos uma vez a cada 4 anos são inesquecíveis, mas é muito rico que existam para além de memórias e, nesse caso, por meio de uma documentação que exprime a subjetividade de como o brasileiro lida com o futebol.
Com uma handycam JVC Everio em mãos, João percorreu diferentes pontos de São Paulo e do ABC Paulista. As gravações passaram pelo Baile do Treze, por uma casa em Mauá, Santo André e novamente pela capital durante o primeiro jogo do mata-mata, antes de retornarem a Mauá para o encerramento.
João, que além de idealizar o documentário, foi o responsável pela captação e edição das imagens, citou Thomaz Farkas, fotógrafo e documentarista húngaro-brasileiro, como uma de suas inspirações para o documentário, sobretudo o filme “Todomundo”, de 1980. Nos 30 minutos de Thomaz sobre o mundo do futebol brasileiro acontecem muitas coisas, mas o elemento mais importante deste esporte nunca sai de foco: o torcedor.
É muito interessante refletir sobre diálogos entre obras. No caso deste texto, é muito bom imaginar que assim como o trabalho de Farkas serviu de inspiração para “O Sonho da Sexta Estrela”, os registros do RESGATE vão servir para que gerações futuras possam compreender o que significava experienciar um evento de tamanha magnitude aqui, neste momento e, para além disso, expor como a experiencia antropológica do futebol em si é um elemento arquitetônico da construção da nossa sociedade.
Foi uma Copa do Mundo repleta de novidades e, de certa forma, atípica. A primeira com 48 seleções participantes, disputando o título em meio a conflitos geopolíticos (com um dos países sede tendo papel de protagonismo em muitos).
Felizmente, neste caso o evento não é o foco da narrativa. Assim como em “Todomundo”, João em nossa visão mirou em capturar algo que muitas vezes não é assistido. A Copa do Mundo em si abre espaço para um estudo sobre as relações que se criam a partir de suas histórias, e para nós ''O Sonho da Sexta Estrela'' ajudará na construção de outras daqui para frente.
Para acompanhar os próximos passos e conhecer mais sobre as pesquisas, histórias e projetos desenvolvidos por RESGATE, acompanhe o projeto pelo Instagram @_resgate.